Resposta rápida: Dezoito números sobre IA nas empresas, cada um com fonte primária e ano. No Brasil, o uso de IA nas empresas foi de 13% para 17% entre 2024 e 2025, chegando a 50% nas grandes (Cetic.br). No mundo, a adoção organizacional está em 88%, com IA generativa em ao menos uma função em 70% das organizações (Stanford HAI). Em agentes, 62% das empresas experimentam e nenhuma função passa de 10% escalando (McKinsey), enquanto a Gartner projeta 40% das aplicações corporativas com agentes até o fim de 2026 e mais de 40% dos projetos agênticos cancelados até 2027. O custo de inferência caiu mais de 280 vezes entre 2022 e 2024.
Revisado em agosto/2026.
Este artigo existe porque eu me cansei de ver slide de diretoria com número sem fonte. Você já viu: um percentual grande, uma marca famosa citada de memória, e ninguém na sala sabendo de qual pesquisa aquilo saiu nem de que ano é o dado.

O critério: fonte primária, ano declarado e o que não prova
Um número só entrou aqui se eu consegui chegar na fonte primária, ou seja, na pesquisa, no relatório ou no release da própria instituição que mediu. Ficou de fora tudo que eu só encontrei em blog citando blog, e é muita coisa: metade dos números que circulam sobre IA não tem origem rastreável, e alguns viram outra coisa no caminho, com o percentual mudando de base sem ninguém avisar.
Cada verbete traz três informações: o número, a fonte com o ano da medição, e o que ele não prova. Essa terceira linha é a que evita o vexame na pergunta seguinte do conselho, porque número de adoção quase nunca significa o que a manchete sugere.
Uma observação sobre datas. Pesquisa de campo tem defasagem, então o dado de 2025 costuma ser publicado em 2026 e descrever o ano anterior. Eu declaro o ano da medição, e não o da publicação, que é o que importa quando alguém questiona.
1. 17% das empresas brasileiras usam IA
Fonte: Cetic.br e NIC.br, pesquisa TIC Empresas 2025. Não prova que essas empresas operam com IA de forma estruturada. O indicador registra uso, o que inclui uma única área usando uma ferramenta pronta.
2. No Brasil, o uso saiu de 13% para 17% em um ano
Fonte: Cetic.br, TIC Empresas, comparando 2024 e 2025. Não prova aceleração sustentada. É um salto que quebrou a estabilidade observada desde 2021, e um ano não faz tendência.
3. Metade das grandes empresas brasileiras já usa IA
Fonte: Cetic.br, TIC Empresas 2025, com salto de 38% para 50% entre 2024 e 2025. Não prova vantagem competitiva. Usar virou o normal nesse porte, então o que diferencia deixou de ser adotar.
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4. Nas pequenas empresas brasileiras, o uso foi de 10% para 15%
Fonte: Cetic.br, TIC Empresas 2025, faixa de 10 a 49 pessoas, que representa 87% do universo pesquisado. Não prova que a pequena empresa está fora do jogo, e sim que a maioria começou agora.
5. 80% das empresas compram software pronto de IA
Fonte: Cetic.br, TIC Empresas 2025. Não prova que a compra resolveu problema. É o dado que sustenta a tese de que a maioria começa pela ferramenta, tema de comprar ferramentas de IA antes da estratégia.
6. 60% contratam fornecedor externo para desenvolver ou adaptar
Fonte: Cetic.br, TIC Empresas 2025. Não prova dependência permanente. Mostra que a capacidade interna ainda é escassa, o que muda a conversa sobre quem mantém a solução depois da entrega e o que acontece no dia em que o fornecedor sai.
7. Nas grandes brasileiras, o desenvolvimento interno saltou de 24% para 37%
Fonte: Cetic.br, TIC Empresas 2025. Não prova maturidade de operação. Construir dentro de casa é sinal de capacidade técnica, e não de processo redesenhado. Empresa que desenvolve bem e opera o fluxo antigo continua no piso do ganho.
8. A adoção organizacional de IA no mundo está em 88%
Fonte: Stanford HAI, AI Index 2026. Não prova transformação. É o número mais citado e o mais mal usado, porque mede organizações que usam IA de alguma forma, em algum lugar.
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9. 70% das organizações usam IA generativa em ao menos uma função
Fonte: Stanford HAI, AI Index 2026. Não prova ganho de resultado. Uma função usando IA generativa e o P&L intacto é a situação mais comum que eu encontro.
10. 62% das empresas já experimentam agentes de IA
Fonte: McKinsey, The State of AI 2025, campo em junho e julho de 2025. Não prova operação com agentes. Experimentar inclui piloto de uma pessoa em uma área, sem processo definido e sem métrica combinada antes de começar.
11. Em nenhuma função mais de 10% dizem estar escalando agentes
Fonte: McKinsey, The State of AI 2025. Não prova que escalar é impossível, e sim que quase todo mundo empaca no mesmo ponto, assunto de por que projetos de IA travam no piloto.
12. Menos de 10% dos programas agênticos chegam a escala relevante
Fonte: McKinsey, análises de 2025 e 2026 sobre a lacuna de adoção agêntica. Não prova falha de tecnologia. A pesquisa aponta alinhamento organizacional e governança como o gargalo, o que coloca a decisão na mesa da liderança e não na do time técnico.
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13. Cerca de um terço das organizações tem maturidade 3 ou mais em estratégia e governança
Fonte: McKinsey, AI Trust Maturity Survey, campo entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. Não prova ausência de controle nos outros dois terços. Prova que a estrutura de supervisão não acompanhou a expansão do uso.
14. 40% das aplicações corporativas terão agentes de tarefa específica até o fim de 2026
Fonte: Gartner, release de 26 de agosto de 2025, contra menos de 5% em 2025. Não prova que a sua empresa precisa comprar agente. Boa parte disso chega embutida no software que você já paga.
15. Mais de 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até o fim de 2027
Fonte: Gartner, release de 25 de junho de 2025. Não prova que agente não funciona. A projeção fala de custo mal estimado, valor de negócio não definido e controle de risco insuficiente.
16. Até 2027, 40% das empresas vão rebaixar ou desativar agentes autônomos
Fonte: Gartner, release de 26 de maio de 2026, citando lacunas de governança descobertas somente depois de incidente em produção. Não prova exagero regulatório. Descreve governança tratada como fase dois, tema de quando desativar um agente de IA.
17. 33% das aplicações de software corporativo terão IA agêntica até 2028
Fonte: Gartner, contra menos de 1% em 2024. Não prova urgência de compra. Mostra que a camada agêntica está virando característica de produto, e não projeto separado, então parte dessa capacidade vai chegar na sua empresa por atualização de contrato.
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18. O custo de inferência caiu mais de 280 vezes entre 2022 e 2024
Fonte: Stanford HAI, AI Index, comparando novembro de 2022 e outubro de 2024 no nível de desempenho equivalente ao GPT-3.5. Não prova que o seu custo caiu. Preço por token despenca e conta total sobe, porque o volume de uso cresce mais rápido, assunto de o que ninguém conta sobre o ROI da IA.
O mapa em uma tabela
| bloco | números | fonte primária |
|---|---|---|
| Adoção no Brasil | 1 a 7 | Cetic.br e NIC.br, TIC Empresas 2025 |
| Adoção no mundo | 8 e 9 | Stanford HAI, AI Index 2026 |
| Agentes e governança | 10 a 13 | McKinsey, State of AI 2025 e AI Trust Maturity 2026 |
| Projeções de mercado | 14 a 17 | Gartner, releases de 2025 e 2026 |
| Custo e capacidade | 18 | Stanford HAI, AI Index |
Quando nenhum destes números serve
Quando a pergunta na sala é sobre a sua empresa. Nenhuma estatística de mercado responde se o seu processo de atendimento ficou mais rápido, e usar número de fora para justificar investimento interno é o caminho mais curto para a pergunta que derruba a apresentação: e aqui, quanto foi?
Número de mercado serve para três coisas, e só. Mostrar que o movimento existe, calibrar expectativa de prazo e sustentar comparação de porte ou de país. Para decidir orçamento, o que vale é a sua medição antes e depois, feita no processo que você escolheu mexer, como eu descrevo em como medir produtividade da IA.
E cuidado com projeção. Quatro dos dezoito números acima são previsão, não medição, e previsão de consultoria erra com frequência. Use como direção, nunca como prova.
A régua que eu deixo com o líder
Antes de colocar qualquer número em slide, responda três perguntas: qual instituição mediu, em que ano foi o campo, e o que exatamente foi perguntado. Se você não souber as três, o número vira risco na sua reputação, porque alguém na sala vai perguntar e o silêncio custa mais do que o dado valia.
E guarde a diferença que atravessa esta lista inteira: quase todos os números altos medem uso, e quase todos os números baixos medem escala. Oitenta e oito por cento usam, menos de dez por cento escalam. A distância entre esses dois é exatamente o trabalho que ninguém terceiriza.