Os 12 tipos de dado que nunca devem entrar num prompt

Quase todo vazamento por IA na empresa começa com alguém colando um documento inteiro numa janela de chat, sem intenção nenhuma de errar. Esta é a lista dos doze tipos de dado que não entram, o motivo de cada um e o substituto seguro que resolve a mesma tarefa.

Categoria: Método

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Resposta rápida: Doze tipos de dado não devem ser colados num prompt de IA: credencial e chave de acesso, dado pessoal identificável de cliente, dado de saúde, dado financeiro de terceiro, dado de menor de idade, documento sob acordo de confidencialidade, informação de fusão ou aquisição ainda não divulgada, peça de processo em litígio ativo, código-fonte proprietário, avaliação nominal de desempenho, base de clientes completa e dado que a empresa apenas custodia para um terceiro. Em quase todos os casos existe um substituto que resolve a mesma tarefa: mascarar o identificador, mandar o trecho em vez do arquivo, ou descrever a estrutura em vez de colar o conteúdo.

Eu nunca vi um vazamento por IA que começou com má intenção. Vi gente competente com prazo curto colando um contrato inteiro numa janela de chat para conseguir um resumo em trinta segundos. A pessoa resolveu o problema dela, e ninguém na empresa ficou sabendo. É por isso que proibir funciona tão mal e por que lista de tipo de dado funciona melhor: ela cabe na parede, e a pessoa consulta antes de colar.

Os doze tipos de dado distribuídos por dois eixos, dano se vazar e frequência com que aparecem colados, com o substituto seguro indicado em cada quadrante.

O critério: o que acontece se aquilo sair da empresa

A lista não foi montada por categoria jurídica, e sim pela pergunta prática que o time consegue fazer sozinho na hora: se este trecho aparecesse amanhã fora daqui, o que quebraria. Quebra de contrato, quebra de lei, quebra de confiança de uma pessoa específica ou perda de vantagem competitiva.

Fica de fora da lista tudo que já é público ou que a empresa publicaria sem hesitar. Material de marketing, política divulgada, número que já está no site. Esses podem ir para o prompt à vontade, e tratar tudo como confidencial é o caminho mais rápido para o time ignorar a regra inteira.

1. Credencial, senha, token e chave de API

Nunca, em nenhuma hipótese, nem em prompt de teste. Credencial colada em chat pode ficar em log de aplicação, em histórico de conversa e em captura de tela. E diferente dos outros itens desta lista, ela não exige interpretação de ninguém para virar acesso: quem lê, entra. Substituto seguro: descreva o formato da chave ou use um valor falso com a mesma estrutura.

2. Dado pessoal identificável de cliente

CPF, RG, endereço completo, telefone e e-mail pessoal. O problema aqui é de base legal: a pessoa consentiu que a empresa tratasse o dado dela, e provavelmente não que ele fosse processado por um serviço de terceiro. Substituto seguro: troque por um identificador interno (cliente 4471) antes de colar, e faça a substituição de volta na saída.

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3. Dado de saúde

Diagnóstico, exame, laudo, atestado, histórico de afastamento. É dado sensível na LGPD e recebe tratamento mais rígido que o dado pessoal comum, inclusive quando aparece de raspão num documento de RH. Substituto seguro: extraia só o que a tarefa precisa (por exemplo, a duração do afastamento) e deixe o diagnóstico fora do prompt.

4. Dado financeiro de terceiro

Número de cartão, conta bancária, extrato, folha de pagamento nominal. Além do risco óbvio de fraude, esse tipo de dado quase sempre está coberto por cláusula contratual específica com o banco ou com o cliente. Substituto seguro: mande valores agregados ou anonimizados, que é o que a análise costuma pedir de verdade.

5. Dado de menor de idade

Qualquer dado de criança ou adolescente, em qualquer contexto, inclusive matrícula escolar e cadastro de dependente em plano de saúde. A LGPD trata esse dado com regra própria e com exigência de consentimento específico. Substituto seguro: agregue por faixa etária e remova nome, escola e qualquer coisa que permita chegar na pessoa.

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6. Documento sob acordo de confidencialidade

Proposta de fornecedor, contrato com cláusula de sigilo, material recebido de parceiro. O ponto que costuma passar despercebido é que a obrigação de sigilo vale para a empresa inteira, e colar o documento num serviço externo pode ser considerado compartilhamento com terceiro. Substituto seguro: descreva a estrutura e as perguntas, sem colar o texto.

7. Informação de fusão, aquisição ou fato relevante

Qualquer coisa ainda não divulgada ao mercado, incluindo nome da contraparte, múltiplo discutido e cronograma. Aqui o risco sai do território da privacidade e entra no de mercado de capitais e dever de sigilo. Substituto seguro: trabalhe com o caso genérico (uma empresa do setor X com receita Y) e nunca com os nomes reais.

8. Peça de processo em litígio ativo

Petição, defesa, parecer interno sobre estratégia processual. O material coberto por sigilo profissional pode perder proteção quando circula fora do circuito do advogado, e essa é a discussão que o jurídico vai querer ter antes, não depois. Substituto seguro: consulte o jurídico e trabalhe com a tese em abstrato, sem número de processo e sem partes.

9. Código-fonte proprietário

O código que é o produto, ou que carrega a lógica de negócio que diferencia a empresa. Em ferramenta corporativa com contrato de não treinamento isso muda de figura, e é justamente por isso que vale saber qual contrato a empresa assinou. Substituto seguro: use ferramenta de código aprovada pela empresa e nunca a janela de chat pessoal.

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10. Avaliação nominal de desempenho

Feedback, nota, plano de melhoria, ata de conversa difícil, tudo com nome de pessoa. Além da questão de privacidade, existe o dano de confiança: descobrir que a própria avaliação foi colada num chat destrói a relação com a liderança. Substituto seguro: remova nomes e trabalhe com o texto do feedback isolado, se a tarefa for melhorar a redação.

11. Base de clientes completa

A planilha inteira, com todas as linhas. Esse é o item mais colado da lista, porque o pedido parece inocente (organize esta tabela) e o volume transforma um deslize pequeno em incidente grande. Substituto seguro: mande vinte linhas de amostra com dado mascarado, peça o método, e rode o método na base localmente.

12. Dado que a empresa apenas custodia

O dado do cliente do seu cliente, comum em agência, contabilidade, BPO e software de gestão. A empresa nem é dona daquilo, e o contrato quase sempre limita o uso à finalidade combinada. Substituto seguro: pedir autorização explícita ao dono do dado, ou trabalhar com dado sintético que tenha a mesma forma.

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O mapa em uma tabela

tipo de dado o que quebra se vazar substituto seguro
Credencial e chave acesso direto ao sistema valor falso com a mesma estrutura
Dado pessoal de cliente base legal e confiança identificador interno
Dado de saúde regra de dado sensível só o campo que a tarefa exige
Dado financeiro de terceiro fraude e cláusula contratual valores agregados
Dado de menor consentimento específico agregação por faixa etária
Documento sob sigilo o contrato com quem enviou estrutura descrita, sem o texto
Fusão e fato relevante dever de sigilo de mercado caso genérico, sem nomes
Peça em litígio sigilo profissional tese em abstrato
Código proprietário vantagem competitiva ferramenta aprovada pela empresa
Avaliação de desempenho confiança do time texto sem nomes
Base de clientes inteira volume vira incidente amostra mascarada
Dado custodiado contrato com o dono do dado autorização ou dado sintético

Quando nenhum destes doze serve como critério

A lista resolve o caso comum, e existem duas situações em que ela não basta. A primeira é a empresa de setor regulado, em que o regulador define o que pode sair do ambiente controlado e a régua não é o bom senso do time. Banco, saúde e seguro têm listas próprias, mais restritivas, e elas mandam.

A segunda é quando a empresa contratou uma ferramenta corporativa com cláusula de não treinamento e processamento em região definida. Nesse caso vários itens daqui mudam de status, e manter a proibição total tem um custo: o time volta a usar a ferramenta pessoal escondido, que é exatamente o cenário que a regra queria evitar. Vale ler o que os colaboradores colocam na IA e shadow AI e LGPD.

O erro dos dois lados é tratar a lista como definitiva. Ela precisa de uma revisão por semestre e de um dono com nome, senão vira cartaz velho na parede.

A régua que eu deixo com o líder

Antes de colar qualquer coisa, uma pergunta: este trecho apareceria num e-mail para alguém de fora da empresa sem eu pedir autorização? Se a resposta for não, ele também não vai para o prompt sem passar pelo substituto seguro.

E uma régua para quem lidera: se o time precisa consultar advogado para saber se pode colar um documento, a política falhou. O material que funciona cabe numa página, usa exemplos do dia a dia da casa e vive perto de onde a pessoa trabalha. Se você ainda não tem esse material, comece por a política de uso de IA na empresa e depois volte para adaptar esta lista aos dados que a sua operação realmente manuseia.

Perguntas frequentes

Quais dados nunca devem ser colocados em um prompt de IA?

Doze tipos: credencial e chave de acesso, dado pessoal identificável de cliente, dado de saúde, dado financeiro de terceiro, dado de menor de idade, documento sob acordo de confidencialidade, informação de fusão ou aquisição não divulgada, peça de processo em litígio ativo, código-fonte proprietário, avaliação nominal de desempenho, base de clientes completa e dado que a empresa apenas custodia para um terceiro. Para quase todos existe um substituto que resolve a mesma tarefa, como mascarar o identificador ou mandar uma amostra em vez da base inteira.

Posso colar dado de cliente se a ferramenta for a versão corporativa?

Muda o risco, e não elimina a pergunta. Contrato corporativo com cláusula de não treinamento e processamento em região definida resolve boa parte da preocupação com o fornecedor, e continua sem resolver a base legal do tratamento perante o titular do dado nem as obrigações que a empresa assumiu com clientes e parceiros. A conversa correta envolve jurídico e DPO, e o resultado costuma ser uma lista específica da casa em vez de uma liberação geral.

Como fazer o time seguir a lista sem virar polícia?

Colocando o substituto seguro ao lado de cada proibição. Regra que só diz não empurra o time para a ferramenta pessoal, onde a empresa perde qualquer visibilidade. Quando a pessoa lê que pode trocar o CPF por um identificador interno e seguir com a tarefa, ela cumpre a regra porque o caminho continua aberto. O segundo elemento é revisar a lista por semestre com quem usa, para ela refletir o trabalho real.

O que fazer quando alguém já colou um dado que não devia?

Registrar o que foi colado, em qual ferramenta e quando, apagar a conversa e o histórico onde for possível, e acionar o DPO para avaliar se houve incidente a comunicar. O passo que a maioria pula é o terceiro: entender por que a pessoa precisou fazer aquilo. Quase sempre existe uma tarefa legítima sem caminho oficial, e resolver a tarefa evita a próxima ocorrência melhor que qualquer advertência.

Os 12 tipos de dado que nunca devem entrar num prompt